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PRESERVAÇÃO

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OPINIÃO

 
Vamos juntos imaginar uma  tarde de domingo, e um passeio numa loja de animais com os nossos filhos.

 Na montra da uma loja, e a preço muito acessível, temos dúzias de tartarugas verdes (Trachemys Scripta). Não resistimos aos apelos do nosso filho mais novo de 4 anos, bem como aos argumentos do mais velho.

Meses mais tarde, alguém nos chama a atenção, que o contacto com tal animal pode contaminar o nosso filho com salmonelas. Ora sabemos que a salmonelosis é uma infecção bacteriana que provoca vómitos diarreia e até desidratação. As precauções são essenciais e não podemos permitir que as crianças manipulem os animais e não lavem as mãos de seguida. As nossas crianças passam então a lavar as mãos, e passamos a dar mais atenção á limpeza da tartarugueira. Mas alguém nos diz que o filho apanhou salmonelas mesmo com estes cuidados.......tudo se complica.

Começamos então a pensar em nos desfazer do animal que entretanto está grande e já nem tem aquela cor bonita dos juvenis. Na loja não a querem, e não temos onde entregar a tartaruga As nossas ribeiras e alguns dos seus pegos mais tranquilos são a nossa escolha para libertar o animal. Pensamos na barragem de S.Luzia ou na ribeira de Unhais como local apropriado para lançar a nossa amiga de estimação.

Optando pela pior de todas as soluções, não pensamos no impacto negativo do nosso gesto. Sendo um animal estranho ao seu ambiente pode manter-se 25 ou 30 anos sem se reproduzir causando enormes estragos aos animais nativos da zona que não têm defesas para um predador estranho.

Toda a fauna local, bem como a flora, sentem tal impacto de forma negativa e talvez irrecuperável.

Do ponto de vista do equilíbrio ambiental é um desastre, para nós é menos um falso problema. Não raras são as vezes que lado a lado coabitam nas lagoas da Serra de Sintra tartarugas com cágados nativos, (Mauremys leprosa Schweigger 1812), sem nos apercebermos do perigo que isso representa para as comunidades locais de rãs e sapos bem como para um sem numero de outros animais nativos.

Por certo Sintra não é de modo algum um exemplo a seguir. Os cursos de água na Beira Serra são por agora um local mais ou menos limpo de tais problemas. E o presente alerta não é mais do que um grito para um assunto que não cabe no nosso quotidiano.

Se uma tartaruga adulta permanecer, por exemplo na ribeira do Pisão, em qualquer pequeno lago formado por um açude, todo o seu pequeno mundo será agredido de forma irreparável. Bogas, Bordalos e mesmo as raras trutas serão ameaçadas de modo muito sério. Como resultado, temos um aumento enorme de mosquitos e a qualidade da água nos meses de estio será alterada.

Será que temos de destruir, um ambiente raro como é o caso das nossas ribeiras, só porque não sabemos dizer não aos nossos filhos?

Tomemos como exemplo, as águas do rio Zêzere a sul das minas da Panasqueira.

É certo que a fome de muitas famílias foi resolvida, com um salário de sangue e lágrimas. O cenário do rio não era de modo algum acolhedor, e o Ecologicamente Correcto num dado momento, de forma alguma pode ser agora. As Nossas Serras da Pampilhosa são Senhoras de um património de inegável beleza que tem de ser observado com olhos para o futuro.

Teremos coragem de manter junto de nós os animais, confiando na nossa disciplina para não sermos contaminados por doenças que nem sabemos pronunciar o nome? Vale ou não o esforço de educarmos os nossos filhos nestes princípios. Eu penso que sim.

Luís Gonçalves

 


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